terça-feira, 31 de maio de 2016

Previdência de Jesus

Nos apontamentos evangélicos, é emocionante descobrir, a cada novo versículo, o grande plano do Mestre Jesus. Pensam muitos que Jesus trabalhou sozinho e que para após a sua partida, simplesmente preparou os doze Apóstolos. No entanto, quando ainda entre os homens, Ele designou setenta discípulos para que, em duplas, fossem a todas as cidades e lugares, onde Ele estava para ir. Assim registra Lucas em seu capítulo dez: Ide, eu vos envio como cordeiros no meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias. Em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei o que vos oferecerem; curai os enfermos que nela houver, e dizei: está próximo a vós o reino de Deus. O grande missionário, em todas as Suas primeiras excursões de apresentação do reino de Deus, foi precedido pelos Seus enviados. Eles iam à frente para anunciarem a Sua chegada. Podemos deduzir que os setenta eram profetas escolhidos a dedo por Jesus. Possuíam dons específicos. Cheios de coragem e de austeridade, andaram pelas estradas de vila em vila, de aldeia em aldeia. Preocupação alguma com haveres, com roupas, com bolsas, com alforjes ou com sandálias, conforme lhes pedira o Mestre. Eles deveriam se preocupar estritamente com o anúncio das verdades celestes. No cumprimento das ordens que receberam, curavam enfermos, levavam a paz às multidões sufocadas pelas tribulações, anunciavam o reino de Deus que logo mais deveria dominar os corações. A tônica dos setenta era o desinteresse, abnegação, sacrifício, mansidão, coragem, dignidade, amor, humildade. Nada lhes deveria embaraçar a missão de que se achavam investidos. Hospedar-se-iam em casa de companheiros que, em nome da fraternidade, os abrigassem. Comeriam do que lhes oferecessem. Exigência alguma. Importante não eram eles, criaturas frágeis, mas a mensagem que deveriam espalhar aos quatro ventos. Em abundância. A divina caravana, qual um exército bem organizado, partiu em trinta e cinco pelotões. Atravessou morros, serras, ravinas, campinas perfumadas pelos lírios, sempre confiantes na força da fé, no valor insuperável da palavra de ordem que receberam. O resultado foi tão estrondoso que, ao retornarem, e se apresentarem a Jesus, comentaram:Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome! Que bela lição colhemos nesses versículos de Lucas. Quantos de nós nos dizemos os seguidores e imitadores de Jesus e nos preocupamos muito mais em abarrotar cofres com moedas efêmeras. Quantos estamos muito mais preocupados com nossa comodidade, nosso conforto, do que em espalhar as verdades dos céus aos pequeninos. Que bela lição para aqueles que ainda acreditamos que para se servir a Deus são necessárias posses. Que extraordinário ensinamento o do Mestre, ciente de que morreria e de que a obra deveria prosseguir, sem solução de continuidade. Toma os doze e lhes concede o ensino esotérico, mais profundo. Seleciona setenta e os põe no trabalho, exercitando-os, desde antes da partida. E recordemos que, ao ascender aos céus, após a ressurreição, na Galileia, o evangelho registra quinhentas testemunhas, Seus discípulos. *   *   * Jesus era um líder nato. Tinha visão de conjunto, abrangente. Sabia que ninguém, por melhor que seja, pode conseguir êxito total a sós. Nem mesmo Deus, o Pai Todo Poderoso, trabalha a sós. Embora não necessite, convoca o homem diariamente para servir na Sua fazenda, a Terra onde vive e progride.   Redação do Momento Espírita, com base no cap. A missão dos setenta e no cap. A volta dos setenta, do livro O espírito do cristianismo, de Cairbar Schutel, ed. O clarim. Disponível no cd Momento Espírita, v. 21, ed. Fep. Em 28.11.2012 http://espiritismocomarte.blogspot.com.br

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Não julgueis...

Não julgueis. Acaba de vir às nossas mãos um bem lançado artigo a propósito da sentença que ora nos serve de epígrafe. Alega-se no aludido artigo que os espíritas, quando no conselho de sentença, costumam absolver sistematicamente os réus. Ignoramos se realmente tem sido essa a norma de conduta dos espíritas no Júri. Quanto a nós, declaramos que, todas as vezes que servimos como juiz de fato, absolvemos, e disso não estamos arrependidos, por isso que entendemos, em consciência, que tais réus deviam ser absolvidos. No entanto, não pretendemos firmar a doutrina da absolvição incondicional. Casos há em que, para evitar mal maior, seria lícito votar de modo a conservar o acusado recluso, dadas as suas condições de perigo para a segurança social. Assim procedendo, não estaremos julgando, mas acautelando a coletividade da qual somos parte integrante. Demais, que são os criminosos de toda a espécie senão anormais, desequilibrados, enfermos da alma, numa palavra? Faça-se, portanto, com eles o que se faz com os doentes de moléstias infectuosas: segreguemo-los da sociedade a fim de evitar as conseqüências do mal. Esta medida é razoável, é humana, não há mesmo outra a tomar, uma vez que Preste aos segregados a devida assistência reclamada pelas suas condições. Não há direitos sem deveres. Se assiste à sociedade o direito de separar os doentes dos sãos, cumpre-lhe o dever inalienável de assisti-los convenientemente. Não é o criminoso que se deve combater: é o crime em suas várias formas. A medicina não combate o enfermo, mas a enfermidade, suas causas e origens. Enquanto a questão não for encarada sob este prisma, o crime continuará a proliferar, perturbando a ordem e a paz da sociedade. Julgar? Quem somos nós para julgar nossos irmãos, se todos somos réus no tribunal de nossas consciências? Fazê-lo em nome da sociedade? Pois é a sociedade mesma, tal como está constituída, a responsável por 149 grande número de crimes que em seu seio se cometem. As piores doenças são frutos do ambiente. Quando o meio é miasmático e deletério, as enfermidades se alastram, tornando-se endêmicas. Tal é a nossa sociedade. Â recrudescência do crime é efeito da materialidade e da hipocrisia reinantes no século. Á higiene social seria o melhor antídoto contra o vício e o crime. O Código pelo qual se regem as nações, ditas civilizadas, precisa reformado: e sê-lo-á fatalmente. Inspirado no Direito Romano, o Código cogita exclusivamente da aplicação de penas, quando devera curar da higiene da alma. E' natural que se condene ao trabalho o homem afeito à ociosidade, empregando-se processos adequados ao caso, ainda que não deixemos de reconhecer que a mesma inércia e apatia sejam, a seu turno, formas de desequilíbrio psíquico. O homem normal ama o trabalho, não pode permanecer inativo. Como a ociosidade, todos os demais vícios são, no fundo, falhas de caráter, distúrbios de ordem moral. Para corrigi-los, duas medidas s impõem: educação individual e saneamento do ambiente. Cadeira elétrica, forca e guilhotina não resolvem o problema em questão, como atestam as estatísticas de criminalidade dos países onde aquelas penas vigoram. Eliminar a vida física do criminoso não lhe modifica o caráter, não lhe altera numa linha sequer o nível moral. Não é ao corpo é ao Espírito que cabe a responsabilidade pelos atos delituosos. Despertar-lhe a consciência, elevar o grau de sua sensibilidade moral, eis o único processo eficiente no tratamento de tais enfermidades. Este processo chama-se educação. A sociedade viverá sempre às voltas com os delinqüentes, enquanto não cumprir o dever que lhe assiste de educá-los. Até aqui, a sociedade, baseando-se no parecer de criminólogos materialistas, invoca apenas o direito de punir. Por isso ela também vai senão punida. Há de suportar as conseqüências do seu erro até que emende a mão. Aliás, já os prenúncios de uma reforma se vão fazendo sentir. Resta ainda considerar que a única pena, que resulta benéfica na regeneração dos criminosos, é aquela que dimana naturalmente do próprio crime. Toda penalidade imposta de fora, com caráter de vindita, é 150 contraproducente. Avilta o moral dos fracos e exacerba o ânimo dos fortes; produz, por conseguinte, hipócritas, cínicos e revoltados. Não regenera: corrompe. Só a educação, equilibrando a poderes do Espírito, produz resultado prático, eficiente e positivo. O código materialista deve ceder lugar ao código espiritualista. Este não cogitará de julgar e menos ainda de aplicar esta ou aquela pena como castigo, mas tratará da educação moral, não dessa moral caricata, para uso externo, vazada em moldes ritualísticos, mas da moral evangélica, da moral positiva que se funda nas leis naturais que regem os destinos do Espírito. O Espiritismo vem ensinar a Humanidade a reger-se, não mais pelo código romano, mas pelo código divino que reflete a indefectível justiça e soberana vontade do Céu!